30 junho, 2017

Da Polux para a Baixa



Quando me perguntam se eu não quero subir seja lá ao que for para desenhar, não fico particularmente entusiasmado dado o meu pavor por alturas. Quando o Pedro Loureiro perguntou se eu não queria tentar subir até ao terraço da Polux para ver se já estava aberto, eu respondi com um sim meio timido, mas lá fui... A vista é soberba e o facto de termos uma guarda de vidro que nos impede de debruçar para ver a rua cá em baixo ajuda bastante. Se apenas conseguir ver em frente, consigo manter a calma mas ainda assim, estas linhas foram muito rápidas, tinha de sair dali o quanto antes. No fim, gostei bastante do resultado e apesar da fobia, iremos voltar para um desenho mais calmo...

When someone asks me to go up there to sketch, wherever up there is, I don't get particularly excited due to my fear of heights. When Pedro Loureiro asked me to check the new Polux terrace in the 8th floor in downtown Lisbon, I relied with a compromised "yes", but I went anyway... The view is breathtaking and the glass protection helps since it keeps you from leaning to the street below. I can keep my cool if I only look straight but even so, I did my lines really fast just to step back from that place. In the end,  I liked the results and besides my panic, we'll return for a more calm sketch...

Desenhar em Santarém


O inicio dos desenhos neste dia 25 de Junho começou bem cedo ainda a caminho do local do encontro, dentro do carro da Sofia que nos conduziu até lá. Ela ia falando com o Bruno, e o seu filho Duarte ainda meio ensonado e em modo pequeno-almoço ia seguindo o caminho e o desenho com atenção. Num instante chegámos a Santarém e depois de uma introdução para uma plateia bem composta, chegou o momento de desenhar a cidade.

I started my sketches very early on the 25th of June, during the trip to Santarém Sketching Meeting, inside Sofia's car. While she was talking to Bruno on the front, her son Duarte was paying atention to what I was doing while trying not to sleep. We reached the meeting point very quickly, and after attending a small introduction to a big audience we set off to sketch the city. 

Eu tinha estado por lá há bem pouco tempo e ainda conservava memórias bem frescas da cidade, pelo que aproveitei o encontro para fazer os desenhos que gostaria de ter feito há uns meses atrás. Eu e o Bruno fomos até ao Jardim das Portas do Sol onde pude desenhar a vista oposta a que já tinha feito antes, desta vez a vista a montante do Tejo com a sua ponte antiga que se estendia sobre a Lezíria infindável... Entre conversa, desenho e pintura, a manhã passou num ápice..

I had been there a couple of months before and memories were still fresh, so I took this opportunity to sketch what I couldn't sketch before. Me and Bruno went to Portas do Sol viewpoint, a fantastic view to Tejo river and the endless Ribatejo plains. Between sketches, watercolors and conversation, time flew really fast... 

...e chegou a hora de almoço, que devido ao elevado número de participantes mais parecia um banquete de casamento. Fiquei ao lado do Augusto e sua esposa e do Bruno, num divertido repasto onde falámos de pintura, desenho e como fazer bons pratos de carne e peixe para os amigos. Depois da comida boa e do vinho, sobretudo do vinho, já não havia grande vontade para fazer o que quer que fosse, a não ser dormir uma sesta.

Lunch time was upon us and due to our big numbers, it looked like a wedding banquet . We were joined by Augusto and his wife and we spent the time talking about sketching, painting, art and how to cook great food. After lunch and due to the great amount of wine we all had, we didn't feel into sketching anymore...

Mas estávamos lá para desenhar e assim foi. Fui até a Igreja da Graça que me tinha despertado a atenção da última vez que lá tive e não pude desenhar. Desta feita não escapou. Entre sol intermitente e chuva, lá consegui fazer o desenho de uma complicada mas muito bonita igreja Gótica, acompanhado pelo Pedro Álvares Cabral e pelo Bruno que o "caçou" no desenho dele . Depois disto ainda consegui fazer um mini workshop/demo para a Cintia Kou (de Macau a residir em Portugal há um ano ) que surpreendentemente fez a viagem até lá para desenhar connosco.

But we had to sketch, that's why we went there in the first place. We went to Graça Church, and between sun and rain I managed to sketch this beautiful gothic facade. In the meantime I still managed to give a demo/mini workshop to Cintia Kou from Macao, that surprisingly showed up to sketch among us. 

E para a prova futura que estivemos mesmo lá, o Augusto, eu e o Bruno, fomos tirar a foto junto do carro de exteriores da RTP de 1957 que mesmo assim não conseguiu roubar o protagonismo aos mais de 60 sketchers que tomaram Santarém de assalto neste Domingo bem passado. Obrigado aos meus colegas de viagem e à Sofia por nos ter levado até lá ;) Um grande obrigado aos Ribatejo Sketchers, à Ana Barbosa e o João André que tornaram isto possível. Foi um mega encontro, foi fantástico e quem não foi, não sabe o que perdeu.

And the irrefutable proof that we were there, a photo next to a charming RTP car from 1957 that couldn't outshine the more that 60 sketchers that took Santarém by storm. It was such an amazing meeting and I'm glad I was there. Thanks to all ;) 

31 maio, 2017

Jantar na Baixa


Quando mudamos de emprego ao  fim de muitos anos a trabalhar no mesmo sítio, sentimos uma verdadeira lufada de ar fresco nas nossas vidas e aquela sensação de verdadeira liberdade que nem no dia 25 de Abril sentimos... Eu senti isso ao fim de 7 anos, o meu colega Tiago sentiu isso nesta noite ao fim de 9! Ele abriu as portas da sua casa na Rua da Conceição para um belo jantar de despedida com os, agora ex-colegas. 

Whenever we change a job after many years spent on another, we feel a true breath of fresh air into our lives and that sense of real freedom... I felt like that after I quit my 7 year job and my colleague Tiago did the same after 9! He opened the doors of his house for a dinner with the former work mates. 


 Entre jantar, conversa e muitos (muitos mesmo!) copos de vinho e de cerveja, vínhamos à varanda para umas conversas mais intimistas e de esperança para o futuro. Uns fumavam e eu fazia o que a vista pedia.

During dinner, talk and many many glasses of wine, from time to time we went outside to the terrace for a more intimate chat where we talked about the best of hopes for the future in this new chapter. Some were smoking and I was doing what the view as asking to be done. 

Mais uns copos depois,  ainda deu para matar saudades da guitarra e ter a derradeira conversa animada antes de rumar a casa. O ambiente estava super alegre e descontraído como é de esperar deste grupo de amigos. Até ao próximo jantar porque felizmente, os ex-colegas estão todos a mudar de emprego aos poucos e isso é esperançoso quando se fala em arquitectura em Portugal .

 This dinner was a very special moment full of joy and relaxing moments. Thankfully, next dinner of this kind is very close since my ex- colleagues are slowly quitting their jobs to get new ones and that's a good thing when talking about architecture in Portugal. 

25 maio, 2017

Palácio de Monserrate


No passado dia da Mãe, resolvemos juntar as nossas mães todas e rumamos a Sintra para o palácio de Monserrate para visita / pic-nic familiar. Nunca tinha visitado e como sabia por alto ao que ia, para além do meu habitual kit para desenho, levei também um bloco A3 para tentar uma aguarela ligeiramente maior das habituais...


E assim foi... Enquanto a família passeava um pouco mais á frente, fiquei deslumbrado com este canto e como a luz moldava o espaço. Devo ter ficado alí imóvel uns 5 minutos a tentar perceber a relação da luz com todos os elementos da paisagem até à mais ínfima folha. Peguei no bloco e desenhei para mais tarde pintar. É que desenhar com o tempo que queremos enquanto estamos com família é impossível...

24 maio, 2017

Montejunto


O dia começou ventoso neste 11º Encontro dos Oeste Sketchers que para mim foi mais curto. Só estive da parte da manhã e mesmo assim senti que poderia ter feito bem mais porque a paisagem assim o pedia.  Mas uma aguarela gigante de 56 x 42 como a de cima requer tempo e alguma paciência que ainda é a minha principal falha...

It was a windy day in the 11th Oeste Sketchers meeting that was a bit shorter for me. I could only attend during morning but I felt I could do more sketches than these because the beautiful landscape was worthy. But for this giant watercolour time and patience was the essence and I still think that lack of patience is still my main weakness... 


Já em jeito de despedida do encontro, fiz mais uma perspectiva desta bela ruina do Convento da Nossa Senhora das Neves que se encontra só no topo desta bela Serra que constitui um belo motivo para regressar...

Before I bid this meeting goodbye, time for another sketch of this beautiful ruin of  Nossa Sra. das Neves Convent, alone at the top of this beautiful  ridge that definitely deserves a comeback... 

11 maio, 2017

REVIEW: Grey Book Hahnemuhle (ENG - PT)



Here's my biggest surprise since I'm a experienced sketcher: The absolutely fantastic Grey Book by German manufacturers Hahnemuhle.  With 40 sheets / 80 pages featuring 120gsm grey toned paper, the Grey Book is slim and an ideal companion if you are on the road, travelling or just going by on your daily life. Bound in several layers and thread stitched, all the pages seat solidly and allow the artist to work on two pages, across the centre seam, just like it should be. 

Eis a minha maior surpresa desde que sou um desenhador experiente: O fantástico Grey Book da marca alemã Hahnemhule. Com 40 folhas / 80 páginas de um papel de 120g/m² ligieiramente cinza, o Grey Book é bastante fino, tornando-se  um bom companheiro de viagens ou para o dia-a-dia. As suas folhas estão dispostas em camadas e cosidas no centro dando uma robustez extra e permitindo que facilmente se trabalhe em dupla página, como deve ser nestes casos. 

I knew this sketchbook was special just because of the fact it has grey toned paper but I fell in love with it as soon as I got my hands on it. The anthracite colour and effects resembling dark wood is the best thing I've ever seen in a sketchbook and I've seen lot's of them. Besides it's great looks,  it feels even better to the touch. Pure magic... 

Só pelo facto do papel ser cinza, percebe-se de imediato que este caderno é especial, mas eu apaixonei-me de imediato assim que o vi ao vivo. A capa de cor antracite e com efeitos que fazem lembrar madeira escura é sem dúvida o melhor dos pormenores que eu já vi num caderno e eu já vi bastantes. Para além do seu visual, tem um toque fantástico, quase mágico... 

But looks isn't everything so let's move on to what really matters, the paper quality. Besides my sketching kit that I mentioned in my previous review (here)  , for my sketches in this one I used my trusted Lamy Joy pen; a white Caran d'ache Prismalo colour pencil, a bullet shaped Posca white pen and sometimes other colours if handy.

Mas como o aspecto não é tudo, avancemos para o que realmente interessa que é a qualidade do papel e como se comporta. Para além do meu habitual conjunto para desenho que mencionei na minha última review (aqui), para os meus esquissos neste papel usei a minha habitual Lamy Joy; um lápis de cor branca Prismallo da Caran d'Ache; uma caneta Posca Branca e uma ou outra cor se as tiver por perto. 


 I use this particular sketchbook for those quick sketches that don't require much information besides the action itself and their protagonists. I find this one perfect for sketching people around me and their actions while studying lighting at the same time. The tone of the paper is just right allowing me use highlights as well as darker shades, giving my sketches that extra depth and volume using only two pens.

Eu uso este caderno maioritariamente para aqueles esquissos rápidos que não precisam de muita informação para além da acção em si e breves alusões aos seus protagonistas. É perfeito para desenhar as pessoas ao meu redor e o que elas fazem e ao mesmo tempo estudar como a luz se comporta. O tom cinza médio do papel é perfeito para usar brilhos bem como sombras mais escuras, dando aos desenhos uma profundidade e volume usando apenas duas canetas. 

I thought I was going to be a bit afraid at the beginning of every page, being a different and special sketchbook and all, but it turned out quite the opposite. I see this as an opportunity to experience a new language and materials that I usually don't use and that makes me very comfortable using it. There's a saying in Portugal that every artist think of when they stumble with fear before a clean sheet of paper: The white paper Drama... 

Ao ínicio pensei que iria ter medo de "atacar" o papel e acabar por fazer maus desenhos por ser um produto diferente e especial mas acabou por ser o contrário. Acabei por encarar este caderno como uma oportunidade de testar novos caminhos e novos materiais e isso deixou-me bastante confortável. Há uma expressão que todos os artistas portugueses se lembram cada vez que ficam estarrecidos perante uma folha, sem que lhes "saia" algo: O drama do papel branco... 

 ...well, you can cast your fears aside on this one. The Grey paper of this sketchbook invites you in so just let go and enjoy the ride. Once in a while I used craft paper for these attempts but after the Grey Book I feel there's no turning back. 

bem, podem deixar-se de medos com este papel. O tom cinza deste caderno convida a desenhar, a criar portanto deixem-se levar e apreciem a viagem. Volta e meia eu usava papel Craft para este tipo de registos mas depois do Grey Book, tenho a certeza que já não volto atrás. 
The final veredict is quite simple: This is by far the best sketchbook I've tried. No other gave me more joy and surprises than this one.  And I'm just scratching the surface, it will take me a while to explore all it's possibilities. If you're an artist who uses a sketchbook on a daily basis, think no more and go get one of these. Well, get a whole box of these, you won't regret it I'm sure. This masterpiece sets the bar way up high and deserves it's place as one of the best sketchbooks ever made.

Final score: 5 / 5 

O veredicto final é bastante simples: Este é sem dúvida o melhor caderno que já usei. Nenhum outro me deu tantas surpresas como este e eu ainda estou longe de utilizar todo o seu potencial. Se és um artista que usa um caderno para rabiscar diariamente, não penses mais e vai buscar um destes que não te arrependes. Esta obra de arte estabelece novos limites no que toca à execução de um caderno e merece sem dúvida o seu lugar bem alto como um dos melhores cadernos alguma vez feitos. 

Classificação : 5 / 5 

Aside from the review, this particular sketchbook is now one of my most treasured possessions as it contains the last sketches I did of my uncle before he passed away. All this is dedicated to him... 

Um pouco aparte desta review, devo acrescentar que este caderno em particular é agora um dos meus bens mais preciosos porque contém os meus últimos desenhos do meu tio que faleceu recentemente. Tudo isto é dedicado a ele... 


Site Oficial / Official Website   (here/aqui)

10 abril, 2017

Jantares no Casal do Facho

 
Há um esforço redobrado por parte de todos para que a vida no Casal do Facho regresse ao normal. Até pode parecer algo forçado mas para a nossa família não o é certamente, é a forma de nos sentirmos minimamente bem e atenuar dores maiores que irão persistir durante algum tempo... Os meus primos aqui olham com orgulho para um belo desenho feito pelo seu filho Gabriel


Aqui, depois de um dia intenso de jardinagem, apesar de ter as mãos a doer como nunca de tanto esforço, não deixei de fazer o que realmente interessava após o jantar, registar o momento. O Rui, um amigo de família juntou-se a nossa mesa de jantar para mais uns copos e dois dedos de conversa.

05 abril, 2017

Fim de semana longo...

 Não, não tive um fim de semana de três ou quatro dias como o título transparece mas para mim o fim de semana foi interminável apenas por ter saído na 6a à noite. Basta fazer isto e parecem já umas mini férias.


Saí do trabalho a horas decentes na passada 6ª Feira e os efeitos da mudança da hora aliados ao bom tempo que se vai fazendo sentir são bem visíveis. Ainda que rasante, o sol ainda se fazia sentir na praça do Rossio e como tinha tempo mais que suficiente até a minha mulher chegar para irmos jantar, desenhei lentamente ao mesmo tempo que ia saboreando o final de tarde até que acabei o esquisso já em plena noite. Em vez de pintar o desenho com as cores existentes no final, pintei com as cores que existiam quando o comecei e que me fizeram puxar do caderno. 

I got out from work in time last friday and we could see the effects of the Summer Time. The sun was still setting but was making a stand in Rossio Square and since I had plenty of time left until dinner with my wife, I started sketching in an unusual slow pace until nightfall. Instead of painting this sketch with night colours, I choose to paint with the colours that were at the begining of the sketch, the ones that make me pick up my sketchbook in the first place.  


Antes de jantar num desses novos pseudo-cafés / bar meio retro que tomaram a cidade de assalto aos quais eu não acho grande piada, por muito "giros" que sejam, (prefiro tascas a sério, à antiga) ainda tive tempo de contemplar com saudades dos tempos de juventude, uma das igrejas mais bonitas de Lisboa, especialmente à noite, a lendária Igreja de Santo Estevão, palco de tantos ensaios acústicos da minha banda da altura. As luzes das cidades da margem Sul brilhavam numa linha continua constituída por pontinhos brancos que pareciam dizer: "estamos aqui também, o Tejo não é só Lisboa!" E eu fiz-lhes a vontade.

Before dinner in one of those retro bars/cafe that are storming the city I had time to sketch one of Lisbon's finest churches, Santo Estêvão in Alfama at the same time I was remembering the old days when me and my band mates sat by it's main door and gave dozens of acoustic performances just for fun. The city lights on the south bank were all lined up and seemed to say : "We are here too, Tagus River is not only about Lisbon!" And so I answered their call.  


Já no dia seguinte após um almoço inesperado com amigos que raramente vejo devido à distância, fomos fazer uma surpresa à minha irmã e aparecemos para jantar e ver o clássico. Da janela da sala víamos o sol a dourar o betão da Ramada / Odivelas, bem como o palco principal do clássico no fundo. Pensei em desenhar o estádio da Luz mas achei melhor não porque podia dar azar... Bem que podia tê-lo feito. 

Next day , after an unexpected lunch with some good friends that I haven't seen for a long time, me and my family went to my sisters for dinner and watch the big game Benfica-Porto, crucial one for both teams. From my sister's home we could see the golden concrete of Odivelas as well as the Luz Stadium at the distance. I thought to sketch it at first but I chose not to, it could bring Benfica bad luck... Well, the game ended in a draw so I could have done it... 


No Domingo, após um passeio matinal no parque desportivo do Jamor, foi tempo de comprar uns frangos e almoçar junto à praia em Paço de Arcos, junto à outrora famosa curva do Mónaco na marginal que cada vez mais parece uma autoestrada que atravessa concelhos que passam a vida a proclamar que cada vez há mais espaços para andar a pé à beira-mar. Deve ser porque nunca andaram a pé nos passeios da Av. marginal.

Sunday, after a morning walk near National Stadium Park, we went to Paço de Arcos beachfront to have some lunch next to the once famous Monaco turn, due to the famous restaurant sitting there that is now in ruins. 

02 abril, 2017

Siga...


Após o dilema familiar que descrevi de forma meio metafórica (aqui), o inevitável aconteceu e a minha família perdeu um dos seus elementos basilares e para sempre presente nas nossas vidas. O conceito de imortalidade de algumas pessoas que nos são especiais vai-se esfumando aos poucos à medida que crescemos. Os irmãos já não vão sorrir juntos como outrora e os jantares de família que irei continuar a desenhar contarão com menos um elemento.  A minha mãe é agora a resistente desta geração e a comandante da nossa casa de família que aos poucos vai retomando a rotina após este golpe duro e acima de tudo baixo, pois não devia ser permitido partir tão cedo... Continuemos a viver então, siga...

06 março, 2017

Jantar no Huang He em Lisboa



Era uma 6ª feira chuvosa e a cidade não estava para passeios mas sim para um jantar com amigos. Liguei a minha irmã e ao Guilherme e lá escolhemos o restaurante, o Huang He, um restaurante chinês à antiga sem o interminável buffet de qualidade duvidosa. Não, este restaurante era aquele típico "chines" com os pratos de sempre com os quais fomos habituados na nossa juventude. Crepe, Massa de Arroz com gambas, Galinha com Bambú e Pato à Pequim a dividir por 5. Estava tudo perfeito.

It was a rainy Friday night and the city was not welcoming for a night walk so we had to stay indoors and have a dinner with friends. I called my sister and Guilherme and went to Huang He, a chinese restaurant like the old days, without that all-you-can-eat mode with doubtful food. No, this was the chinese restaurant with the eternal dishes we remember from our youth. Spring Rolls, Fried Noodles, Chicken with Bamboo and Beijing Duck for 5 people. It was perfect. 


Depois do gelado frito, que não era bem o melhor que já comi e o café, sentia que ainda faltava algo para completar o jantar. Olhei lá para fora e vi que não chovia, as pessoas na mesa estavam um pouco relutantes em sair portanto, saí eu e desenhei o final da Av. das Forças Armadas, quase na rotunda de Entrecampos. As típicas luzes douradas de Lisboa e o chão molhado pela chuva faziam uma atmosfera perfeita para uma aguarela. 

After the fried Ice Cream and the expresso, I felt the dinner was incomplete. I looked outside and the rain had stop for a minute, there was a chance to sketch that golden night atmosphere and I took it. This golden mood and the water reflections were perfect to capture in watercolour. 

01 março, 2017

Sombras e Luz


Quando a sombra se abate sobre nós, há que procurar uma ínfima réstia de luz onde quer que seja. Há quem prefira os holofotes, mas essa luz é muito superficial e dura pouco. As luzes mais triviais, aquelas mais singelas são as que verdadeiramente nos iluminam. Iluminam o rosto e o nosso corpo mas sobretudo o nosso enfraquecido espírito... 

When shadows are upon us we must seek even the dimmest light. Some may prefer the spotlights, but it's a very superficial light that fades quickly. The most trivial of lights are the ones that truly enlighten us. Our face, our bodies but mostly our souls... 


As crianças são feitas de luz e tudo o resto lhes passa ao lado...

Children are made of light, they don't even conceive the idea of darkness... 


Mas para nós, passar ao lado das sombras já não é uma opção, ainda por cima agora que o Carnaval já acabou  e os holofotes apagaram-se. Há que enfrentar as sombras e saber que elas ameaçam tornar-se permanentes mais cedo ou mais tarde.

Mas nós somos feitos de luz... 

But unfortunately for us, avoiding the shadows is no longer an option, mostly at this time that Carnival is ending and so are it's spotlights. We must face the darkness and interiorize that someday they'll become permanent. 

But we're made of light... 


...e existimos em grupo, unidos para que nos possamos iluminar uns aos outros...

...and we stand together so we can bring more light to each other... 

21 fevereiro, 2017

Lia




Sábado foi dia descanso total e ficámos por casa, o dia todo de pijama. Tempo para praticar também os retratos em aguarela e a minha filha foi a cobaia perfeita.

Saturday was one of those days to do nothing and wear pajamas all day long. I was practicing watercolour potraits and my 4 year old daughter was the perfect test subject.  

18 fevereiro, 2017

Review: Watercolor Book Hahnemuhle (ENG)

Here's the sketchbook that's been my daily companion for a while now, the fantastic Watercolour Book by German paper manufacturers Hahnemuhle. It features natural white Akademie Hahnemuhle 200gsm, acid-free paper slightly grained on both sides. I'm reviewing the A5 landscape format, perfect for my passion for panoramic sketches. It contains 60 pages / 30 sheets, a fantastic well-crafted cover with the traditional rubber band to hold it together. 

This is my sketching kit I carry all the time: The Watercolour Book; Lamy-Joy EF nib; Lamy ALstar F nib; 0,7mm White Posca; Rembrandt Watercolours by Royal Talens + 4 brushes. I use Platinum Carbon Black Ink in both of my Lamy's (The ALstar is deluded with water) because of it's waterproof capabilities and fast drying time, perfect for 15-30 minute sketches. I'm an experienced sketcher but an amateur when it comes to watercoloring, so I tend to use lots (AND LOTS) of water throughout the coloring process and the sketchbook handles it quite well. I can easily use up to 4 layers of watercolour in one sketch and repeat the process on the next page with a new sketch. 

   One less positive aspect of this sketchbook: the paper buckles a bit when I use heavy washes on it but that's easily solved with a couple of paper clips on each side or, by stretching the paper by washing it first and then let it dry closed. 

Aside from that, it's a joyous experience to sketch on one of these. Colours blend in perfectly and the way the watercolour lays on the paper is wonderful with some nice granulation effects due to it's texture. With the natural white paper I can get fresh and saturated colours that I wont get with a cream coloured one. Since the paper can take the punch, I tend to mix more paint than normal, and in time, this sketchbook became my laboratory, slowly evolving from a typical urban sketcher book to an artist's book where I study different ways to mix and apply colours.

  As I mentioned before,  I prefer to use pen and ink and I've tried a wide range of pens on it and honestly, it's all the same for me. I choose the pen that I feel more comfortable with, regarding of the paper type I'm using. The textured surface of this sketchbook might affect your lines and make them look rough like pencil but I kinda like expressive linework instead of dull, accurate lines with the same width from point A to point B, so for me this is a huge plus.


Last but not least, the key feature that make me fell in love with it: It's a proper A5 landscape sketchbook instead of the Moleskine that feels much more wider. The extra 2cm on width can make a huge difference in your sketches, believe me. The Hahnemuhle book doesn't feature that expandable inner pocket like the Moleskine one but, who cares?

All in all, it's a fantastic and affordable sketchbook that I'll keep using for the time being, or until my skills require a more exquisite paper. But even so, I think I'll always have one of these on my shelf, just in case...

Final score: 4,5 / 5

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13 fevereiro, 2017

RubberDown at Vox


Tempo de voltar ao espaço do meu grande amigo Hélder Sanches, o Vox Café na Graça em Lisboa, para  ver a banda de um grandíssimo amigo tocar. O André (à direita) é meu amigo de há décadas e foi um dos grandes responsáveis pela minha cultura musical actual. Através dele tomei conhecimento de novas bandas e novos sons bem como o gosto pela guitarra, que comecei a tocar em grande parte por vê-lo tocar. Certo dia, já desertos de tocar nas esplanadas da Graça por puro lazer, formámos uma banda com o outro grande amigo nosso para tocar ao vivo em bares por essa Lisboa fora. Foram anos que jamais esquecerei e que fizeram de mim o que sou hoje, uma pessoa de espírito aberto e social que não vive um dia sem ouvir música, que por sua vez me inspira para desenhar. Ver os meus amigos continuar esta "luta" que é a música é para mim um prazer enorme porque para além de me transportar no tempo para aqueles anos gloriosos, tenho o máximo respeito pelas pessoas que fazem aquilo que mais gostam apenas e só pelo prazer que lhes dá.

Time to return to Helder's bar Vox Cafe in Graça, Lisbon to see my best friend's band playing live. André (on the right) is a long time friend and one of the responsible  for my musical taste nowadays. Trough him I got to know about new sounds and bands never heard before as well as my love for the guitar, developed by seeing him play. One day, after months playing for ourselves in Graça's outdoor cafes, we formed a band with another great friend of ours, to play in bars throughout Lisbon. Those were the years I'll never forget, that forged my personality and taste in music to the fact that I cant live without, at least 2 hours of music a day. It's a pleasure  to watch my friends  going on in this struggle that is playing music in Portugal mainly to recall those years but because I like to see people doing what they love most. 

02 janeiro, 2017

Natal 2016



Neste Natal voltámos a uma velha tradição, a de passarmos todos juntos em família na nossa casa conjunta, o Casal do Facho no Varatojo. Os miúdos já cresceram e já não precisam das comodidades das nossas casas como trocadores de fraldas e quartos recatados para dormir sestas. A noite começou com o queijo da Serra e rapidamente continuou pelo tradicional bacalhau bem regado de um belo tinto, seguido pelos não menos tradicionais doces da época. Num ápice, era hora de abrir as prendas que o Pai Natal (o meu sogro disfarçado) foi entregar. A Lia ficou  maravilhada mesmo com uma visita tão fugaz de um Pai Natal apressado e tímido, que tinha de fugir para poder entregar as prendas aos outros meninos a tempo... O Natal sem os miúdos não tinha a mesma piada certamente.

This year we brought back our family Christmas Tradition and went to our home in the country, Casal do Facho in Varatojo. Kids are all grown up now and there's no need for baby amenities anymore. the night started with the traditional cheese, cod and went on with no less traditional sweets. My father in law disguised of Santa and brought all our presents for my daughter's delight! Without kids, Christmas was way less funny. 


O dia seguinte continuo na mesma base do anterior, desta vez com a família mais completa. Almoço farto com a "roupa velha" das sobras da noite anterior, polvo à lagareiro e um vinho ainda melhor! 

Next day, with more people at the table, festivities went on with the same spirit as the night before. 


Para melhor fazer a digestão, tempo para a tradicional volta pelo campo até a Floresta Mágica (nome dado pelos miudos ao pinhal ali perto) banhada pelo amarelo do pôr-do-sol, num cenário à Turner, mestre que admiro bastante e faço por seguir, quer na mestria da linha como pela brilhante aplicação de cores e de luzes.

After lunch, time for a stroll in the countryside bathed by yellow light of the sunset, in a Turner like setting. Turner is one of my all time favorite artists and sort of a mentor since I'm allways trying to resemble his lines and his use of light.